quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Quero-Quero

O Antônio mandou este poema, que encontrou em Candelária, de autoria do Arnaldo Jacobi. Além de bonito, achei que tem tudo a ver como vô, no sentido da sua trajetória de 90 anos lutando por princípios morais, defendendo a sobrevivência da família e tudo o mais. O que acham?

QUERO-QUERO

Quero-quero que vives alerta
Por sob a coberta dos astros doirados,
Teu grito é o clarim da tropilha de guachos
De bravos, de machos, de índios ousados.

És o tipo de guasca sozinho no mundo
No fundo profundo do pampa gaudério
Teu brado nos lembra o esconso perigo
Teu grito de amigo - o cincerro sidéreo

Teu vulto solito de encontro ao minuano
Repete por ano mil vezes as
duendes, dos numes do povo campeiro
Que ostenta sombreiro, bombachas e palas

Por toda tua vida serás o emblema
Do verso, do poema gritado distante
Serás sentinela de peito
enfrenta de frente o perigo constante

Tu que em meio à macega defendes o ninho
E enfrentas sozinho mais forte rival
Nos deixes plantado no solo farrapo
O exemplo do guapo charrua imortal.

Arnaldo Jacobi - Candelária 02/08/63

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