domingo, 14 de setembro de 2008

Raridade


Hoje eu e a Dirlene levamos ao vô uma raridade: um cd com as músicas do disco Gaudério, de Délvio Oviedo, da década de 80. Uma delas ("Botucaraí") é de autoria de um dos filhos do vô: Moacir Danilo Rodrigues. Pra ouvir, é só apertar "play", vivente!

Botucaraí
Moacir Danilo Rodrigues / Délvio Oviedo

Quantas saudades do meu rio, em que criança
Tomava banho e pescava lambari.
Ou então, nas noites quentes de verão
Atava espera nos galhos do Sarandi.

Nadava sempre com minha junta de porongos,
domando firme as tuas belas corredeiras.
Nas tuas barrancas maneamos nossa história,
pealados juntos pelas mesmas boleadeiras.

Lembro-me, ainda, que de tuas águas claras
fiz um espelho e, com orgulho, percebi
os primeiros pêlos da minha cara
de guri, de guri.
Os primeiros pêlos da minha cara
de guri, de guri.

Porém a vida me levou pra outros bretes
na correnteza sem controle do destino.
E hoje, quando volto pra minha querência,
nada encontro dos meus tempos de menino.

Ó meu rio, o que fizeram com tuas águas
antes tão puras e agora apodrecidas?
Onde o Dourado já não salta a cachoeira
e nenhuma vida dando vida a outras vidas

Lembro-me, ainda, que de tuas águas claras
fiz um espelho e, com orgulho, percebi
os primeiros pêlos da minha cara
de guri, de guri.
Os primeiros pêlos da minha cara
de guri, de guri."

6 comentários:

ANTONIO RODRIGUES disse...

Esta é a letra de autoria do Moacir:
"Botucaraí
Moacir Danilo Rodrigues / Délvio Oviedo

Quantas saudades do meu rio, em que criança
Tomava banho e pescava lambari.
Ou então, nas noites quentes de verão
Atava espera nos galhos do Sarandi.

Nadava sempre com minha junta de porongos,
domando firme as tuas belas corredeiras.
Nas tuas barrancas maneamos nossa história,
pealados juntos pelas mesmas boleadeiras.

Lembro-me, ainda, que de tuas águas claras
fiz um espelho e, com orgulho, percebi
os primeiros pêlos da minha cara
de guri, de guri.
Os primeiros pêlos da minha cara
de guri, de guri.

Porém a vida me levou pra outros bretes
na correnteza sem controle do destino.
E hoje, quando volto pra minha querência,
nada encontro dos meus tempos de menino.

Ó meu rio, o que fizeram com tuas águas
antes tão puras e agora apodrecidas?
Onde o Dourado já não salta a cachoeira
e nenhuma vida dando vida a outras vidas

Lembro-me, ainda, que de tuas águas claras
fiz um espelho e, com orgulho, percebi
os primeiros pêlos da minha cara
de guri, de guri.
Os primeiros pêlos da minha cara
de guri, de guri."

ANTONIO RODRIGUES disse...

"..junta de porongos" ?

Pra quem nunca ouviu falar, aí vai a explicação:
naquele tempo, pelo menos lá no interior do município de Candelária, não existia 'boia' tampouco câmara de pneu (nem automóveis existiam por lá, hehehe), então para aprender a nadar nos rios amarravam-se dois porongos, um em cada extremidade de uma corda, e colocava-os sob os braços para servir da 'boia'.

Circo Cia. de Marketing disse...

E pensar que hoje a gente diz que a vida é difícil... A ggurizada mais nova tem que conhecer essas histórias todas, pra dar valor aos antepassados, ao que herdaram e ao que conquistarão.

Rafael disse...

Haha! 'junta de porongos'! pois é já ouvi essa música antes mas agora estou num computador que tem um Windows Media Player com origem duvidosa heheeh, e dai nao tá rodando. Mas acredito que temos o CD, vou averiguar. Abraços em todos!!

Fernando Guimarães disse...

Além de ter uma letra muito bonita, essa música, em si, é bastante nostálgica. Creio que era esse sentimento que acompanhou o pai enquanto escrevia, assim como em mim, agora ouvindo-a e lembrando dos meus tempos de guri no Lami. Boas lembranças! Obrigado por postar a música aqui!

Bastidores da Vida de Um Músico disse...

Tive a honra e a satisfação de trabalhar com o Dr. Moacir Danilo Rodrigues, quando ele foi Juiz de Direito da 2ª Vara da Comarca de Santa Cruz do Sul, e eu Escrivão Judicial. Certa feita, recebi dele duas belíssimas poesias gravadas em uma fita K-7.Com esse material produzi um CD no qual, além das poesias, foram gravadas duas músicas que eram as suas preferidas: Os verdes campos da minha terra, interpretada por Agnaldo Timóteo e Amigo, interpretada por Roberto Carlos. Distribui o CD "Última Lembrança" à várias pessoas que conheceram essa pessoa maravilhosa que foi o Dr. Moacir a quem eu sempre considerei o irmão que eu não tive.Se alguém tiver interesse em cópia fazer contato através do e-mail: tecladistapaulosilva@gmail.com. Florianópolis 24.01.2010. Paulo L. Silva